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PERISCÓPIO DO PLANALTO – O MATADOURO DE BOLSONARO: NO CAIXÃO DE UMA CRIANÇA CABE A TRAGÉDIA DE UM PAÍS


 

Devastado pelo negacionismo presidencial, Brasil se transforma em uma terra cravejada por covas rasas




 

Idosos morrendo no chão de hospitais. Infantes perdendo a vida depois de mal chegarem ao mundo. Jovens lotando UTIs e morrendo intubados. Filhos cavando a sepultura de suas mães por falta – pasme - de coveiros. Escassez de insumos para o tratamento de pacientes graves. Falta crônica de vacinas. Núcleos familiares inteiros dizimados: pai, mãe, filho e filha mortos em questão de horas. Corações sem direito ao luto e ao toque de despedida diante de urnas mortuárias lacradas. Bebês em óbito sufocados em unidades de saúde sem oxigênio. A maior média móvel diária de mortes do mundo. Quase 300 mil cadáveres (ou seis Guerras do Vietnã ). Um presidente, que no “comando” do país, sabotou a tudo e a todos. Criticou o uso de máscara. “Prescreveu”   suas  “inas”   (Cloroquina, Hidroxicloroquina, Ivermectina) como remédios tão milagrosos quanto  garrafadas encontradas nas melhores barracas de charlatões de uma feira qualquer. Incentivou e promoveu aglomerações. Sabotou o isolamento social e fez troça da “fraqueza”  e da “falta de virilidade”  dos contaminados. Recusou-se a comprar vacinas no momento certo enquanto nações civilizadas garantiram seus estoques. Devastado pelo negacionismo presidencial, o Brasil se transforou em uma terra cravejada por covas rasas. Nada pode ser maior que o caixão de uma criança. Nele cabe a tragédia de um país. A esta altura do genocídio institucional que vivemos e que será contado pelos livros  como um dos períodos mais trágicos de toda a nossa história, é inaceitável que permaneçamos estéreis diante de “amigos”  e “familiares” (que podem ser irmãos, pais e até mesmo mães) que insistem em dobrar sua aposta suja, eivada de mau-caratismo e desonestidade intelectual, em um presidente que certamente, em algum momento, será devidamente responsabilizado por crimes contra a humanidade. Amizade e consanguinidade não são salvo-conduto para fazer vista grossa diante de monstruosidades. No matadouro de Bolsonaro, só o seu gado acha que não vai morrer. A marcha da insensatez dos bolsonaristas é como uma tropa de mulas caminhando, feliz e despreocupada, para o mata-burro. Sim, temos quadrúpedes entre nossos familiares e amigos. Nichos radicais da elite financeira e intelectual do Brasil adotam um comportamento bandido de apoio a uma política presidencial genocida. Dessa turma de canalhas, não escapam conhecidos, “amigos”, primos, irmãos, colegas de trabalho, contratantes e toda sorte de covardes oportunistas. Empresários, industriais, agricultores, policiais, jornalistas e toda sorte de profissionais liberais que apoiam Bolsonaro com uma desfaçatez repugnante são oportunistas frios, que atrás de seus “interesses de produção” e da conversa malandra da “geração de emprego e renda” tapam o nariz para o cheiro de carne morta. Estamos descolados da realidade. Nos acostumamos com o extermínio de 3 mil pessoas por dia com se elas fossem baratas pisoteadas. Não sei você, caro leitor; mas já me permito o direito de não mais fingir indulgência com cretinos “próximos”. Seja quem for, não dá mais para respeitar “opiniões divergentes”. Não se trata disso. Não se trata do falso dilema asinino de bolsonaristas x petistas. É muito além disso. É muito mais do que isso.   Apoiar um genocídio é ser indiferente a caixões de crianças. É ser desonesto intelectual. É proteger a barbárie. É coisa de cafajeste psicopata. O lugar de Bolsonaro é um tribunal internacional. E não adianta colocar a Polícia Federal para invocar a Lei de Segurança Nacional e  intimidar as vozes que gritam por justiça e decência. Não demora muito e não haverá contingente de meganhas para tanta “investigação”.  Houve um tempo, não muito distante, que nós, brasileiros, éramos respeitados lá fora. Lembro-me de fazer compras em Nova York, “capital do mundo”,  e encontrar, em vários lojas, da Quinta Avenida de Manhattan  ao Brooklyn; vendedores que falavam português só para nos atender com mais praticidade. Hoje, brasileiros e suas cepas assassinas da Covid-19 são caçados no exterior como leprosos de um apocalipse zumbi. Não somos mais bem-vindos em nenhuma nação séria do mundo. Meu visto americano, tal qual o de todos os outros brasileiros que o possuem, não vale absolutamente nada hoje. Não somos autorizados a atravessar nenhuma fronteira, a não ser a do México, para onde partem “brasileiros endinheirados” (leia-se “influencers” ridículos)   em busca de selfies capazes de mostrar o quanto anda boa sua vida enquanto seus compatriotas morrem sufocados por falta de cilindros. A OAB, Ordem dos Advogados do Brasil, acaba de recorrer ao Supremo Tribunal Federal para obrigar Bolsonaro a adquirir vacinas suficientes da população contra a Covid-19. Como bem dito pelo presidente nacional da Ordem, Felipe Santa Cruz, “a Presidência da República e o Ministério da Saúde têm encarado as vacinas mais como um problema do que uma solução. Em inúmeros episódios, aqueles que deveriam ser responsáveis por gerir as crises se valeram de seus discursos e cargos para deslegitimar a vacinação, discriminando os imunizantes de determinados países e fazendo terrorismo sobre possíveis  efeitos da vacina na saúde da população”. No caixão de uma criança, cabe a tragédia de um país. Quantas alças ainda seremos obrigados a segurar?

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