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PERISCÓPIO DO PLANALTO: EDUARDO E O RABO DOS BRASILEIROS


É impressionante como o esfíncter dessa brava gente suporta a desfaçatez  da família presidencial

 




 

Desconfio que o rabo dos brasileiros seja de aço. Ou então,Kriptonita. Não há notícia, na literatura médica, de um músculo com fibras concêntricas mais resistente que o nosso. Tão quanto também resiliente. Só assim para suportar a desfaçatez da família presidencial. Pois Eduardo, o playboy carioca filhinho de papai presidente  que virou deputado e acaba de chegar de  Israel onde, às expensas do Estado (ou seja, do seu dinheiro, caro leitor) , foi à Terra Santa em busca de um  milagre envasado na forma de spray tão eficaz quanto a Cloroquina ou a Ivermectina - as poções mágicas do fanatismo bolsonarista  que não conseguiram evitar que o país empilhasse mais de 270 mil cadáveres e se tornasse o epicentro da pandemia mundial - superou-se.  Eduardo, muito bem criado na maçã raspada, postou ontem singelo vídeo de inconfundível apreço por seus compatriotas. Disse ele, fazendo coro com o negacionismo  de papai: “essa imprensa mequetrefe aqui do Brasil fica dando conta de cobrir apenas a máscara, tá sem máscara...tá com máscara...enfia no rabo!”. Sua Excelência, o nobre deputado, elevou, indiscutivelmente, o nível da desfaçatez, do desbunde e do desrespeito. Afinal, que diferença uma máscara faz?  Até onde se  sabe mas  ainda longe de entender o que se passa na mente brilhante de “Dudu” (talvez seja a genética inconfundível) , as máscaras são as únicas capazes de evitar que sejamos contaminados. Mais do que isso, as máscaras são as únicas capazes de evitar que lotemos UTIs de hospitais em colapso. Ainda mais do que isso, as máscaras são as únicas capazes de evitar que nos encontremos mais cedo com aquele que está  acima de todos naquele   Brasil dos cretinos  acima de tudo. Talvez “Dudu”, sangue bom que é,  tenha uma outra visão da coisa. 270 mil mortos? “Enfia no rabo”. Bebês morrendo asfixiados por falta de oxigênio? “Enfia no rabo”. Hospitais colapsados com gente morrendo em ambulâncias e corredores à espera de um leito de UTI? “Enfia no rabo”. Falta de vacinas? “Envia no rabo”. Um presidente que usou, abusou e se lambuzou em aglomerações suicidas? “Enfia no rabo”. Pais, mães,   irmãos, familiares e   amigos mortos pela Covid-19? “Enfia no rabo”.  Falta de vacinas? “Enfia no rabo”. Ausência de um  plano nacional de combate à pandemia e de conscientização da  população? “Enfia no rabo”.  Aproveitando o imperdível ensejo, talvez seja hora de perguntar aos fanáticos das redes sociais e aos desonestos intelectuais que encontramos entre familiares , amigos e conhecidos onde eles pretendem enfiar a defesa cretina que fazem,  todo dia e sem a menor vergonha,   de um presidente cuja irresponsabilidade transformou  o Brasil num dos maiores cemitérios a céu aberto do planeta? E não adianta responder que vão enfiar no meu.

 


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