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PERISCÓPIO DO PLANALTO: GUARDIÃO DA CONSTITUIÇÃO, SUPREMO MOSTRA O LUGAR DOS VALENTÕES DO BOLSONARISMO


Ao decretar a prisão de um dos mais conhecidos “maçarandubas” da extrema-direita brasileira por ataques criminosos à Suprema Corte, ministro Alexandre de Moraes prova que a Democracia ainda pulsa num país tomado por radicais

Plenário da Câmara, sequestrado pelo Centrão comprado por Bolsonaro, vai definir se referenda ou não a prisão do deputado Daniel Silveira. Da votação, serão conhecidos os patifes e os democratas

O Valentão de Petrópolis (enquanto era levado ontem pela Polícia Federal) que está aprendendo que em um estado democrático de direito, as instituições precisam ser respeitadas

Nada como uma decisão rigorosamente perfeita para provar que a democracia ainda pulsa num país tomado por radicais. Ao decretar a prisão de um dos mais conhecidos “maçarandubas” da extrema-direita brasileira por ataques criminosos à Suprema Corte, o ministro Alexandre de Moraes fez o que se espera de um guardião da Constituição em defesa do Estado Democrático de Direito. O deputado Daniel Silveira, um ex-policial militar apologista do excludente de ilicitude (uma das bandeiras de Jair, o herói dos estúpidos, para conceder autorização para matar aos meganhas assassinos de favelados), ganhou fama entre as hordas de devotos do “Capitão” ao quebrar uma placa em homenagem à vereadora carioca Marielle Franco, assassinada a sangue frio por ex-policiais envolvidos com milícias e vistos, pimpões, em fotos com o Presidente da República. Quem assistiu ao vídeo divulgado pelo “maçaranduba” viu, estarrecido, um desfile de horrores antidemocráticos e flagrantemente criminosos. Silveira, imaginando que estaria protegido pela “imunidade parlamentar”, ataca os ministros dos Supremo, sugerindo, inclusive, que eles sejam agredidos. Inadmissível, impensável, inaceitável. A ficha do valentão já é conhecida do próprio STF. Silveira, que foi preso ontem na serra de Petrópolis, é alvo de inquéritos na corte. Um apura atos antidemocráticos e outro, fake news. Guardião da Constistuição, o Supremo mostra o lugar dos valentões do bolsonarismo: o xilindró. 


Eu e o Ministro Alexandre de Moraes durante evento acadêmico aqui em Brasília. Moraes, com coragem e rigorosamente dentro da lei, tem exercido um papel fundamental na contenção do radicalismo que ameaça a democracia brasileira desde que Bolsonaro assumiu

A decisão de Moraes é exemplar em um momento que o ex-comandante do Exército, General Eduardo Villas Bôas, revela em livro recém-lançado, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo, que combinou com colegas da caserna o tom de tuíte ameaçador divulgado às vésperas da controversa e apertadíssima decisão do Supremo que manteve o ex-presidente Lula preso. Fachin, relator do caso à época, ao saber das revelações do general, repudiou esta semana a pressão dos militares pela manutenção da prisão do ex-presidente sobre o Supremo. Foi o que bastou para que Silveira gravasse e divulgasse seu vídeo escatológico. O deputado, como tantos outros, é um exemplo trágico dos mais graves efeitos deletérios da chegada da extrema-direita ao poder no Brasil. O discurso belicista de Bolsonaro, um presidente despreparado e apegado ao populismo conservador, pariu aberrações como Silveira. Assim como os idiotas de Nelson Rodrigues perderam a modéstia; assim como os imbecis de Umberto Eco ganharam voz nas redes sociais; os estúpidos de Bolsonaro experimentam os holofotes num país doente. Sequestrado pelo Centrão comprado por Bolsonaro, o “puro”; o plenário da Câmara, como manda a Lei, irá decidir se referenda ou não a decisão do Supremo. Da votação, serão conhecidos os patifes e os democratas. Um litro de cloroquina para quem adivinhar como vai acabar essa história.

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