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CRÔNICAS DE ONDE EU VIM: “CONVERSEI” COM O PRESIDENTE JUSCELINO E ELE ME CONVENCEU DE QUE JOSÉ EDUARDO FOI GIGANTE NO TOM CONCILIADOR DE SUA POSSE


 

Mesmo diante do golpismo atávico de seus adversários, prefeito reeleito de Guaíra (SP) optou por ser o que se espera de uma liderança autêntica: o timoneiro dos bons tempos e da pacificação da sociedade

 

Fina educação recebida em casa coloca o filho de Seu Adnaer e Dona Edna a anos-luz de distância de todos os seus opositores




 

Juscelino Kubitschek,o maior presidente, a meu juízo, da história republicana brasileira, morreu em 1976 em um acidente automobilístico em circunstâncias controversas na Via Dutra, entre São Paulo e Rio de Janeiro. Seu corpo foi enterrado na cidade que ele fundou por mudar, de forma histórica, o eixo do desenvolvimento nacional. Antes de sua morte, JK, o “Artista do Impossível”,  enfrentou toda “sorte” de perseguições e humilhações impostas pelos militares do Golpe de 64, que cassaram seu mandato como Senador depois da presidência brilhante e a fundação de Brasília. Juscelino foi vítima de interrogatórios arbitrários e ficou proibido de pisar na nova Capital do País que ele ergueu com teimosia e fé na coragem dos homens de bem. Incomodados com a luz ofuscante que emanava de sua figura pública, os militares deram um jeito de  acusá-lo de crimes que jamais cometeu na tentativa de diminuir sua importância histórica. Completamente desnecessário dizer que todas – absolutamente todas – as tentativas fracassaram. Em 1981, cinco anos depois de sua morte e já nos anos finais do Regime Militar, a caserna foi obrigada a reconhecer que nada ou ninguém poderia retirar de JK a imagem de o mais visionário presidente que o país já teve. Não por acaso, o próprio Presidente Figueiredo, o último dos generais no Planalto; concordou em acompanhar, ao lado de Dona Sarah, a víuva de JK, a transferência dos despojos mortais do fundador de Brasília para o Memorial que leva seu nome aqui na Capital da República. Construído na parte alta do Eixo Monumental, o Memorial JK é um museu e um mausoléu que conta a história de Juscelino e onde seus restos mortais são guardados em uma urna de granito, instalada em uma cripta com paredes externas de mármore. Na urna, uma elegante inscrição em letras de metal em alto relevo identifica, de forma minimalista,  quem ali está sepultado: “O Fundador”. Há cerca de três semanas, ainda surpreendido pelo tom pacificador do discurso de posse de José Eduardo, visitei, pela enésima vez , o Memorial. Aprecio muito estabelecer “conexões” físicas, ainda que post mortem, com aqueles que admiro profundamente. Foi assim quando viajei a Washington (DC), nos Estados Unidos, para contemplar, em silêncio, as sepulturas no Cemitério de Arlington, do presidente Kennedy, e de seu irmão, Bobby; ambos assassinados por extremistas que não conseguiam conviver com seu espírito democrático e de defesa  intransigente dos direitos civis. E também foi assim, há 20 dias, quando me aproximei da urna com os despojos de JK. Escolhi um horário de pouca visitação e consegui ficar, sozinho, dentro da cripta. “Eu e JK”. Registrei o momento com a foto que você, leitor, vê junto a este texto. Ao fitar a urna que guarda os restos mortais do maior presidente brasileiro pude compreender, no absoluto silêncio daquela “conexão”, porque os grandes homens são capazes de nos surpreender. Mesmo perseguido de todas as formas pelo “crime”  de provar que é possível fazer história acreditando na democracia, JK não se cansava de dizer, depois de injustamente cassado já como Senador, que tinha absoluto orgulho de  jamais guardar mágoa de quem quer que seja. Médico de formação que pagou os estudos trabalhando na juventude como telegrafista,  JK, mineiro de  Diamantina,  era um gentleman. Um homem extremamente culto, apaixonado pelos livros (sua espetacular biblioteca pessoal foi transportada e instalada, nos mínimos detalhes, dentro do Memorial e pode ser visitada), pela vida pública e pelo destemor em realizar o “impossível”. Pois bem. Guardadas todas as devidas proporções, JK convenceu-me, na “conversa” sem palavras que tivemos há poucos dias, “olho no olho”, de que o José Eduardo afastado e perseguido que tomou posse há pouco mais de trinta dias com a espada da injustiça cravada em seu coração, não se deixou contaminar pela ódio ou pelo ressentimento contra todos aqueles que, nas trevas de tratativas subterrâneas, tentaram deslegitimizar sua vitória e seu segundo mandato. A maior liderança pública que Guaíra já teve depois de mais de duas décadas de desastrosas experimentações foi mais uma vez altiva. É o que  Juscelino “explicou”, conseguindo  me afastar da indignação que senti ao ver José Eduardo dirigindo-se em paz e sereno a todo o parlamento guairense, nominalmente. Juscelino jamais perdeu a calma diante dos ataques, das rasteiras e do ódio de seus adversários. José Eduardo jamais perdeu a serenidade diante das injustiças, do golpismo e da raiva permanente de seus opositores.Lideranças legítimas precisam pensar no todo. JK e JE são muito parecidos cada qual em seu universo e tempo. É deste tipo de governante elegante, democrata e crente na força da verdade  que as sociedades sempre vão precisar.




Na área central do Memorial JK, há uma frase de Juscelino reproduzida em grande formato com a caligrafia do presidente: “tive a glória mais alta que um homem poderia ambicionar. A de ter construído a capital de seu país”.  Consigo imaginar como guairense que sou, daqui de Brasília, a cidade que JK ergueu do nada e onde nasceram minhas filhas, que José Eduardo não está longe de escrever sua própria e definitiva frase: “tive a glória mais alta que um homem poderia ambicionar. A de ter salvado minha cidade da política pequena, devolvendo-a ao orgulho de ser movida por grandes aspirações”.

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