A quem interessa a normalidade institucional? José Eduardo quer mesmo voltar? Edvaldo deseja mesmo sair?
O discurso da normalidade, geralmente pregado pela “inocente” turma do “Deixa Disso” e, ato contínuo, pela imprensa amiga; esconde uma fogueira ardente de vaidades
O poder sempre foi uma sala de espelhos. Um labirinto de imagens distorcidas feito, na medida, para confundir o distinto cidadão. O discurso da normalidade, geralmente pregado pela “inocente” turma do “Deixa Disso” e, ato contínuo, pela imprensa amiga; esconde uma fogueira ardente de vaidades. Afinal, em uma cidade conflagrada pelo caos institucional, a quem interessa a falsa normalidade? José Eduardo, o prefeito reeleito mas impedido de assumir as funções públicas por conta de um golpe institucional, quer mesmo voltar? Edvaldo Morais, o interino, deseja mesmo sair e está disposto a entrar para história apenas como um “batedor” da comitiva do real mandatário, protegendo, como prefeito de fato, o legado do prefeito de direito? As coisas e a vida não são tão simples assim. O vácuo, de acordo com as leis da Física, é um espaço onde não existe matéria. A política, de acordo com as leis da Selva, é um espaço onde não existe vácuo. Não se iluda. Por mais que seja “parceiro” de José Eduardo e argumente que apenas cumpre o papel de homem público responsável, o que Edvaldo, o prefeito “do momento” de Guaíra (SP) - terra natal deste mercenário das letras - quer de verdade é continuar onde está. Qual outra chance Edvaldo, na idade que tem e na altura em que se encontra de sua vida pública, teria de exercer o cargo que sempre ambicionou? É por isso que entre os seus, ela já se prontifica, “meio sem jeito”, no caso bastante improvável de “novas eleições”, a ser o “nome do grupo”. De seu lado, quais são os coringas no castelo de cartas de José Eduardo? Tecnicamente, o que o filho de Seu Adnaer e Dona Edna queria, ela já tem: foi o primeiro prefeito reeleito da história recente da cidade e não poderia, mesmo que quisesse, continuar na prefeitura em 2025. O que José Eduardo quer? Encerrar a vida pública como prefeito para servir de escada para Jorginho Uatanabi, seu “irmão de Loja” e colega de juventude; ou passar o bastão para Renato em março do ano que vem para tentar chegar à Câmara Federal? As respostas estão todas na mesma desculpa: “tudo depende do que a Justiça decidir”. Mentira. Tudo depende, na verdade, do tesão político de cada um. O calvário jurídico de José Eduardo uma hora vai acabar. Nem que seja na Suprema Corte. Resta saber se no caso da coisa se alongar por mais alguns meses se o prefeito reeleito vai ter vontade de reassumir de fato ou apenas fazer a cena do “Retorno do Rei” para passar o abacaxi logo para um Renato desesperado para reabilitar seu nome encerrando a vida pública no comando do município. O Paço seria a “Heab” do neto de Seu Graciano. Até onde se sabe, José Eduardo está adorando o tempo que reconquistou para cuidar dos negócios no circuito São Paulo – Minas – Tocantins. Para Edvaldo, tudo seria melhor se a coisa fosse decidida agora. Assim , ele poderia parar de fingir desinteresse e deixar a pose de desapegado Na hipótese de um impedimento definitivo de José Eduardo, o caminho estaria aberto para “Edvaldo 2021 – Um Filho Teu Não Foge à Luta”. O Golpe Institucional que bagunçou a história guairense ainda terá muitos efeitos deletérios. Imagine o clima na Câmara Municipal diante da possibilidade da teia jurídica avançar sobre 2022. Se isso acontecer, os próximos presidentes do parlamento guairense serão alçados, automaticamente e sem esforço, a cada ano da atual legislatura, à condição de prefeito. No limite do caos, se os recursos da defesa eduardista se multiplicarem como células de um organismo em crescimento, em tese, Guaíra poderia ter nada menos que cinco prefeitos em quatro anos: o próprio José Eduardo, como chefe do executivo reeleito , impedido de governar e litigante obstinado; Edvaldo, o interino que iria até 31 dezembro deste ano, e outros três presidentes da Câmara que assumiriam como prefeitos interinos em 2022, 2023 e 2024 no maior show de paraquedismo que a cidade já viu. Imagine a cabeça do servidor de carreira e dos integrantes de cargo de confiança. O furdunço provocado pela sebastianismo do Ministério Público, emulado pelo golpismo dos perdedores; transformou o clima organizacional dentro da prefeitura em uma gafieira. Há os malandros, que juram fidelidade a Edvaldo mas cruzam os dedos por José Eduardo. Há os pragmáticos, capazes de se adaptar a qualquer hospedeiro. E há os cínicos, que torcem pelo caos como forma de trabalhar o mínimo enquanto ganham o máximo. Sociedades de municípios menores, especialmente do interior, tendem a ser mais indulgentes. Nos grandes centros urbanos, o panelaço é a regra. Em cidades pequenas, o perdão não é a exceção. Assim, na medida em que o tempo passa, os guairenses vão se acostumando à ideia de que alguns de seus vizinhos podem ter cometido alguns pecadilhos mas continuam sendo gente boa e educada, “pais de família” que você encontra quase todo dia na farmácia, na padaria ou no mercado. Menos mal para a “normalidade”. Seja lá o que isso realmente signifique.

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