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CRÔNICAS DE ONDE EU VIM: O PRIMEIRO FIGO


 

O filho de Seu Adnaer e Dona Edna é como um fruto apressado do verão, que amadurece sozinho em junho, muito antes dos comuns que só aparecem lá para agosto

 

Peixe maior que o aquário, José Eduardo é um talento esperando para nos deixar

 



 

O figo prematuro,que nasce antes do verão e que a gente vê e logo colhe e, quando o tem na  mão,o devora; será sempre o mais saboroso. Sozinho, ele amadurece em junho, muito antes dos comuns que só aparecem lá para agosto. O primeiro figo é tão único que já foi título de um dos mais conhecidos textos da poetisa americana Edna St. Vincent Millay. Edna, uma mulher de espírito livre , à frente de seu tempo ,  que morreu em 1950 e por cuja obra sou perdidamente apaixonado,  ensinava, nos quatro versos de “O Primeiro Figo”

 

“Minha vela queima nos dois lados

e não vai durar a noite inteira. 

Mas ah, meus amigos, oh meus inimigos – 

Que luz adorável ela dá!”

 

O filho de seu Adnaer e Dona Edna é como um fruto apressado, que amadurece sozinho em junho, muito antes dos comuns que só aparecem lá para agosto. Peixe maior que o aquário, José Eduardo é um talento esperando para nos deixar. José Eduardo é “O Primeiro Figo”. Ainda o temos na mão. Não por muito tempo. Somos tolos. Muito tolos. Em vez de devorá-lo e sentir todo seu único sabor, ficamos discutindo prazos e possibilidades, representações ridículas e ressentimentos de perdedores. Enquanto isso, “O Primeiro Figo” resiste serena e bravamente à toda sorte de blasfêmias, infortúnios, arbitrariedades jurídicas e maldades de quem vive do ódio e do rancor. Ainda não entendemos que “O Primeiro Figo” é, sobretudo, uma questão de oportunidade. Ou o devoramos agora ou teremos de esperar por mais  uma safra de comuns. Até onde se sabe, a última durou longos vinte anos. Até quando “O Primeiro Figo” vai resistir no pé? Até quando José Eduardo terá paciência para cumprir a missão de mudar a história da cidade depois de resgatá-la dos mais rigoroso dos invernos? A miopia de parte dos guairenses acabará por torná-los completamente cegos. Quem, em são consciência e diante do julgamento do próprio espelho pode preferir, como cidadão consciente,  ervas daninhas no lugar do primeiro figo que ousou brotar depois de décadas? É possível imaginar Dona Edna Coscrato  lendo Edna St. Vincent Millay., fazendo suas, como mãe, as palavras da poetisa homônima americana. “O Eduardo não vai durar a noite inteira. Tratem de aproveitar a luz adorável que ele dá”.

 

Na imagem deste post, Edna Saint Vincent Millay fotografada, nos anos 40, em toda sua delicadeza. O arquétipo literário perfeito para demonstrar as angústias de Dona Edna, única na história a ser esposa e mãe de prefeito.

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