Moro, um "poço de coerência", considera criminosos os vazamentos que derrubaram sua fantasia sebastianista mas não vê problema e “não se arrepende” em vazar ilegalmente conversa dos outros; no caso, do candidato que ele colocou na cadeia para que o homem que o emprega hoje pudesse vencer as eleições presidenciais
Uma república de bananas é feita do que desde sempre se sabe: corrupção, achaques, mentiras, cinismo, populistas a perder de vista, demagogos em escala industrial e uma dose colossal de hipocrisia. Pego com as calças na mão, Doutor Moro, o “herói” que inspira bonecos infláveis e move multidões de fanáticos em nome da tradição, da família e da propriedade, deu de presente à reputação da Lava-Jato uma jamanta carregada de cachos de banana d´água. Não que não se desconfiasse de seus métodos. O que assombra é a desenvoltura com que o hoje ex-juiz os praticava, quando dentro de uma toga, à margem da lei e dos mais básicos princípios constitucionais do estado democrático de direito. Como dito pelo colunista Elio Gaspari, da Folha de São Paulo, o fato grave, muito mais que a invasão dos celulares de procuradores, “é ver um juiz, numa rede de papos, cobrando do Ministério Público a realização de operações, oferecendo uma testemunha a um procurador, propondo e consultando-o a respeito de estratégias”. Salvador Dalí não admitiria,pois, chamar de surreal a reação arrogante de Doutor Moro ao ser convidado a comentar, diante das lentes e dos microfones, o que diabos achava de sua relação "heterodoxa" com o príncipe do powerpoint (pode me chamar de Dallagnol, o Deslumbrado). Vivo fosse, Dalí certamente nos ensinaria que não se mistura a arte com o ridículo. Montado numa desfaçatez só realmente possível em quem não tem saída a não ser agarrar-se ao emprego que lhe resta, o paladino da moralidade do “Novo Brasil” preferiu atacar “os criminosos que vazaram os diálogos “ no aplicativo chumbrega que a República de Curitiba utilizava para tramar condenações. Convém lembrar a todos e ao próprio que foi ninguém menos que o Juiz do Santo Ofício, no auge de sua popularidade, que vazou , com aprovação do procurador amigo de todas as mensagens; diálogos gravados ilegalmente entre o ex-presidente Lula e a então presidente Dilma Roussef. Moro, um "poço inabalável de coerência", considera criminosos os vazamentos que derrubaram sua fantasia sebastianista mas não vê problema e “não se arrepende” de vazar ilegalmente conversa dos outros; no caso, do candidato que ele colocou na cadeia para que o homem que o emprega hoje pudesse vencer as eleições presidenciais. Não é uma beleza? Chega a ser fofo. Ato contínuo, uma República de Bananas também é feita de títulos burlescos concedidos por bufões. A trajetória invejável de Juiz do Santo Ofício a Bananeiro do Telegram rendeu ao Doutor Moro uma condecoração pública concedida por seu brilhante patrão no dia seguinte à explosão do escândalo que deixou no pelo o "superministro" da ética, da moral e dos bons costumes. Tão super que se Jair soltar, ele cai.

Comentários