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A SANTA INQUISIÇÃO DE CURITIBA E SUA CARA DE PAU


 Quem conhece Brasília e já viu até elefante voar sabe que Moro perdeu a linha e não demora para entregar o carretel

A Santa Inquisição: "a fogueira que incendeia é a mesma que ilumina"

 Desde que começaram a  vazar, há três semanas, os diálogos comprometedores entre os “valentes” da Lava Jato, incluindo a língua solta do  até então “intocável” Juiz do Santo Ofício, sabe-se, entre aqueles que realmente conhecem do riscado, que nada será como antes. Quem conhece Brasília e já viu até elefante voar sabe que Moro perdeu a linha e não demora a entregar o carretel. Sim, as ruas estarão cheias neste domingo. Nada de novo. Em 64, avenidas  brasileiras também ficaram repletas de gente e de faixas (em 19 de março e 6 de junho daquele ano)  celebrando a “Família, com Deus e pela Liberdade” em apologia ao ideário conservador e autoritário que ganhava força no embalo dos discursos contra os “comunistas que comiam criancinhas”.    Os 21 anos de chumbo, censura, tortura, perseguições, desparecimentos e mortes  que se seguiriam àquela catarse estúpida mostrariam, ao fim e ao cabo, a qualificação e estatura intelectual  dos manifestantes da época. É tragicômico ver como Moro e seus soldadinhos de chumbo  passaram a se comportar diante da desinteria de ilegalidades revelada pelo site The Intercept Brasil, a partir de reportagens assinadas pelo jornalista norte-americano Glen Greenwald. Com as calças arriadas diante do respeitável público, Moro,  Dallagnol (o ficcionista do Powerpoint) e o resto  dos sebastianistas de Curitiba sacaram, veja só, a mesma e surrada estratégia que denunciados da Lava-Jato usaram contra a operação: desqualificar a denúncia. Coisa de patetas de gravata. Para quem não sabe ou, o que é mais provável, finge não saber; Greenwald, que apontou o ventilador para as latrinas da parcialidade lavajista ;  ganhou o Pulitzer, o maior prêmio do jornalismo mundial , por seu trabalho em parceria com a também jornalista Laura Poitras na divulgação dos documentos vazados por Edward Snowden, ex-agente da Agência Nacional de Segurança (NSA).O furo jornalístico, compartilhado inicialmente pelo jornal britânico The Guardian e pelo norte-americano The Washington Post, é considerado uma das notícias mais importantes dos últimos anos. Como se acostumaram a ser tratados como Deuses (inclusive por parte da imprensa) enquanto açoitavam a constituição e promoviam o show das conduções coercitivas, Moro e seus justiceiros passaram a sofrer da clássica patologia das vertigens de baixa altitude. Acima do bem e do mal acharam mesmo que poderiam aplicar a lei cometendo ilegalidades.  Os ventos viram à medida que a verdade, como outras coisas, bóiam.É inescapável. À Santa Inquisição de Curitiba restou a cara de pau, o apoio dos conservadores  e a gritaria dos fanáticos.   Giordano Bruno, teólogo, filósofo, escritor e frade dominicano italiano do século XV foi  condenado à morte na fogueira pela inquisição romana com a acusação de heresia ao defender erros teológicos. A história inspirou peça teatral que leva seu nome seguido de aforismo que se mantém absolutamente atual: “a fogueira  que incendeia é a mesma que ilumina”. Imagine Sérgio e Deltan na primeira fila. 





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