Perto
deles, os idiotas de Nelson Rodrigues não passam de uma nuvem inofensiva de
gafanhotos sem boca. Os “Neands” do Novo Brasil transformaram os imbecis de Umberto Eco num timinho vagabundo de
desimportantes
A
cultura musteriense é espaçosa. Os Neandertais estão por toda parte. Perto
deles, os idiotas de Nelson Rodrigues não passam de uma nuvem inofensiva de gafanhotos sem boca. A cultura musteriense
é colonizadora. Os Neandertais do Novo Brasil transformaram os imbecis de
Umberto Eco num timinho vagabundo de desimportantes. São, na essência de sua mais legítima forma
de expressão, guturais. Grunhem, valentes e satisfeitos, a cada nova
sinfonia produzida pela flauta doce dos
sábios lábios de seu líder. “Os
nordestinos são Paraíbas”. E os “Neands” não se aguentam de prazer: “groooowww”....grunhem
montados sobre suas absolutas certezas. “Ninguém passa fome no Brasil!”. De
novo, os Neands vão ao gozo, em mais um inconfundível grunhido: “grooowwww”. “No Brasil não houve
ditadura”. Groooowww.” “O Exército não matou inocentes naquela época e nem
agora. Afinal, o que são os mortos de ontem e os oitenta tiros de hoje?” .
Groooowwww. “Vamos fechar a Ancine porque dinheiro público não financia filme
de puta”. Groooowwww. “Quem disse que o IBGE sabe alguma coisa sobre
desemprego?”. Groooowwww. “A Fiocruz não tem dados confiáveis”. Grooowwww. “Não
há desmatamento na Amazônia. O Inpe está mentindo”. Groooowwww. “Não venha para
o Brasil fazer turismo gay. Se
quiser sexo com mulher, fique à vontade”.
Groooowwww. “Pergunte às vítimas dos degolados em masmorras federais se elas
vêem algum problema em corpos sem cabeça”. Groooowwwwww. “Se o presidente da OAB quiser, eu conto pra
ele como o pai morreu durante o ´regime´ militar!”. Groooowwww. “Viva
Ulstra!” Grooowww, grooowww, grooowwww, groowwww. Os Neandertais são tão espaçosos como sua
cultura. Estão ao nosso lado, na mesa do almoço de domingo com a família. No trabalho, sempre grunhindo suas irrefutáveis convicções pelos
corredores. Nos churrascos com os amigos, vociferando, entre uma cerveja e
outra, o quanto admiram o iluminismo que tomou conta do país. Estão até mesmo
bem vestidos, em jantares elegantes
regados a vinho sul-africano,
idolatrando seu mito entre uma garfada e outra no “Spaguete al Formaggio”. A paleontologia nos informa que o cérebro do Homo sapiens tem um tamanho médio de 1.400
cm3. Já o do Homo neanderthalensis chegava a ter 1.600 cm3. Razoável portanto
supor que em sua versão atual, os Neands do Novo Brasil são
tão cabeçudos quanto seus irmãos gêmeos
do Paleolítico Inferior e, assim sendo, terão espaço encefálico suficiente para um dia
compreender que sua estúpida catarse
serve aos interesses de um demagogo populista com uma visão sombria de mundo.
Bem-vindo, caro Sapiens, ao Pleistoceno da história brasileira.

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