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CRÔNICAS DE ONDE EU VIM: TEMPOS DE COVARDIA, CINISMO E MÃO NO COLDRE


Servidores e membros do alto escalão guairense “servem” a dois senhores. O que está de castigo sem merecer e o que se castiga porque não sabe se merece


“O medo tem alguma utilidade, mas a covardia não”, ensinava o Mahatma. Em sua luta contra a dominação britânica, Gandhi entrou para a história tombando assassinado por que lhe sobrava coragem para enfrentar o medo vigente em uma Índia conflagrada entre hindus e muçulmanos. Sim... a covardia não tem utilidade alguma. É por isso que Guaíra, município paulista onde nasceu este escriba, começa a sentir a falta da liderança incontestável de José Eduardo, o prefeito reeleito impedido de governar por conta de um golpe institucional. Agentes públicos dão expediente na sede de governo - alçada à “nobre” condição de Muquifo “Messias Cândido Faleiros”, considerando, com generosidade, o estado de penúria de suas instalações num prédio com, no mínimo, cinquenta tons de cinza – movidos pelo medo e pela indefinição.. “A quem dedico o melhor das minhas energias? A um prefeito interino que daqui a pouco sai ou a um prefeito reeleito que em breve chega?” No “Palácio” que mais parece um almoxarifado gritando por demolição e que abriga um gabinete que muito embora tenha sido o epicentro da história da cidade hoje não tem sequer uma mesa decente para o máximo mandatário; dilemas shakespeareanos angustiam corações e mentes. “Aplaudo o Edvaldo e magoo o José Eduardo ou espero o José Eduardo e magoo o Edvaldo?”. “Seguro o Edvaldo para evidenciar a falta que o José Eduardo faz ou Solto o Varejão e seja o que Deus quiser?”. Sim. São tempos de covardia e mãos no coldre por baixo da mesa e por toda parte Esmagados entre dois “amores” , os membros do alto escalão vivem a estranha experiência do adultério. “Fico com a mãe dos meus filhos ou me jogo nos braços de uma amante imprevisível?”. Não se pretende aqui dizer que Edvaldo não seja leal a José Eduardo. Há muitas histórias que ainda serão contadas. Uma delas é recente e remonta à campanha de 2020. Lá pelas tantas do bangue-bangue, certo final de semana o esposo de uma candidata a vereadora da oposição, contrariado por matérias investigativas divulgadas pela imprensa local, decidiu, sabe-se lá por quê, destrambelhar, transtornado, para a casa do prefeito em busca de satisfações como se José Eduardo as devesse ou tivesse o poder de controlar o que dizem ou escrevem jornalistas vaidosos. Informado do perigo, foi Edvaldo Morais quem correu para as imediações da casa do prefeito para intervir caso os ânimos se acirrassem. Diz a lenda que o “Varejão” estava pronto para tudo e bem equipado. Ao fim e ao cabo, nada de pior aconteceu. O visitante indesejado foi acalmado e voltou para casa. Engana-se, no entanto, quem acredita que exemplos como a proteção dada por Edvaldo a José Eduardo sejam uma garantia de mar calmo para todo o sempre. Não são e não vão ser. Deu-se poder a Edvaldo e ele tem todo o direito de querer exercê-lo. Daí para agarrá-lo como um troféu é um pulinho. Para entender melhor a dinâmica psicológica da caneta executiva, basta imaginar José Eduardo e Edvaldo sentados, só os dois, frente a frente, em uma mesa de bar, enquanto, entre um drink e outro, despejam elogios recíprocos. “Parceiraços” na condução dos destinos do município. Se, entretanto, algum espírito de porco resolver, por conto própria, levantar a toalha e dar uma espiada por debaixo da mesa verá a vida como ela é. Os dois com a mão no coldre. “Só para garantir”. A grande questão entre tantas, é ver quem pisca primeiro. Em certa medida, a ausência e o silêncio de José Eduardo ajudam na mística de “Napoleão Exilado” cujo retorno todos aguardam. Mas não pode passar do ponto. Leal a José Eduardo, Edvaldo é mais leal a si mesmo. Quem não é ? Se o “Retorno do Rei” demorar para acontecer transformando-se em um dramalhão sem fim da terra de Pancho Villa, o “Varejão”, com razão, vai sentir-se tentado a escrever a própria história. Enquanto isso não acontece, o modo “stand by” vai continuar ditando o ritmo de um governo sem identidade que se equilibra entre o que não é e o que gostaria de ser.

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