CRÔNICAS DE ONDE EU VIM: AO APELAR PARA O CAOS INSTITUCIONAL, SEM PERCEBER, “MADAME MIM” ENTREGOU A EXPERIÊNCIA DE SER PREFEITO AOS SEUS “ARQUI-INIMIGOS”
José Reinaldo governou por mais de vinte dias e agora Edvaldo Morais está completando um mês no cargo
Enquanto isso, José Eduardo, ao contrário do que se imagina, curte o afastamento transformando o “inferno astral” em um sabático de reaproximação com a família, noites de amor com Elaine e foco nos negócios particulares enquanto aguarda um retorno que, se confirmado, será no mínimo triunfante
A política escreve certo por golpes tortos. É por isso que é uma bobagem imensa desperdiçar energia com especulações sobre o desfecho do labirinto jurídico que cerca o segundo mandato do prefeito reeleito de Guaíra (SP) – é a primeira vez que isso acontece nos quase 100 anos de história do município – José Eduardo Coscrato Lelis. As acrobacias interpretativas dos “órgãos de imprensa” locais, dos chapas brancas aos pseudoindependentes; sobre os “prováveis” destinos do filho de Seu Adnaer e Dona Edna desde que ele foi afastado das funções públicas, antes mesmo da posse, depois da pirotecnia armamentista do Ministério Público; não passam de uma discussão menor. Quase uma conversa estéril daquelas travadas em botecos imundos onde se serve cerveja barata e picles de salsicha. A partir das bancas de advogados que contratou em sua defesa, José Eduardo dispõe de arsenal jurídico para arrastar seus processos por tempo parecido com o do próprio mandato. Decisões definitivas – a favor ou contra – não saem antes do final de 2023. Até lá tudo pode acontecer, menos Bia Junqueira (mas pode me chamar, sempre, de Dona Penúltima) ser prefeita. Menos José Carlos Soares, nosso querido Sidney Magal das inesquecíveis “chuveiradas” transmitidas pelas redes sociais; ser chefe do executivo. Menos ainda o coitado do caçula dos Armani, incinerado na fogueira das vaidades inúteis do pai justamente quando tinha uma eleição garantida para a Câmara; comandar o município. Ao fim e ao cabo, o “trumpismo” de Madame Mim em não aceitar a derrota e colocar fogo no parquinho, na prática só serviu para uma coisa: permitir que seus arqui-inimigos tucanos experimentassem o que ela, provavelmente, jamais vai conseguir; a experiência de ser prefeito. O vereador não reeleito José Reinaldo dos Santos Júnior, adversário fidagal de Bia no plenário do Legislativo, foi o primeiro a ter o gostinho de entrar para a história. José Reinaldo governou Guaíra como prefeito interino por mais de vinte dias no final do ano passado. Presente de Bia. Ato contínuo, o também vereador, só que reeleito, Edvaldo Morais, está no poder, como chefe do executivo em exercício desde 1º de janeiro. E lá se vão trinta dias. Presente de Bia. José Eduardo, “coitado”, enquanto aguarda a decisão sobre o sexo dos anjos, vive seu “drama pessoal” organizando o agronegócio de suas propriedades, experimentando posições inéditas do Kama Sutra com a primeira-dama e curtindo momentos longos de convivência com a família (algo que havia se tornado raro por conta do exercício do cargo). Presentão de Bia. Pensando bem, Madame Mim não é tão má assim. Há algo de redentor em suas maldades. Quando mais ela deseja fazer o mal mais o bem acontece. E nem se pode dizer que Edvaldo, em si, vai mal. Experiente, o vereador que muitos consideram um “Cláudio Armani que deu certo” não faz feio. Em um mês, tirou a máquina pública do terror paralisante que se seguiu ao “showzinho do Gaeco”, reconduziu secretários municipais estratégicos aos seus cargos, reorganizou o Setor de Obras, pacificou a coleta de lixo , está mantendo as contas em dia, toca a manutenção das estradas rurais, iniciou as obras da nova balança municipal e a cidade está limpa. Não é pouco para quem tem a missão de preparar o município para um retorno triunfal de José Eduardo, escolhido por 60% dos eleitores guairenses para continuar governando a cidade. Fosse eu inquilino do castelo medieval de Madame Mim, chamava os amiguinhos da Ordem cujas digitais berram na denúncia ao GAECO para tentar entender o que há de errado nas poções preparadas no calabouço.

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