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CRÔNICAS DE ONDE EU VIM: UM GIRO RÁPIDO PELAS COXIAS DO PODER


Uma sede de governo que provoca vergonha alheia, um prefeito interino que gostaria de continuar, derrotados sem palanque em busca de holofotes, o secretário municipal que ambiciona ser prefeito e o dilema do próximo passo do timoneiro fazem a delícia de quem gosta de saber o que há por trás das cortinas

 

Nunca me interessei pelo que acontece no palco da política. De teatro vivem os tolos. O que vale mesmo é o que está por trás das cortinas. Sim. É lá nos camarins, nas coxias, geralmente com as portas fechadas, que a vida pública, de fato acontece. Longe das narrativas, distante das matérias prontas de jornais amigos e dos ataques sem originalidade de pasquins adúlteros. Faremos hoje um giro rápido pelas coxias do poder da terra natal deste precário escriba.  Se você quiser, pode parar por aqui e continuar acreditando no que lê nos jornais da cidade ou no que ouve nas emissoras do município. A escolha é sua mas o furo é sempre meu. Sim, aqui , é bom que se diga, você não vai encontrar modéstia.


 

UM PAÇO QUE ENVERGONHA 




 

A sede do governo guairense é a maior contradição da estética do poder local. A beleza das luzes eduardistas – há leds por toda a parte; especialmente na orla do lago – contrasta com uma prefeitura literalmente caindo aos pedaços. É quase surreal. Caso o  sujeito que utiliza o passeio que circunda o Parque Maracá resolva, na altura da sede do governo, atravessar a rua, vai encontrar um Paço Municipal desmanchando. Da histórica rampa sobre a qual já caminharam os homens mais poderosos da cidade e que hoje mais parece uma “pinguela”  com a qual ninguém se importa, até as instalações internas, tudo parece estar esfarelando. A pintura do “palácio” onde despacha o prefeito lembra  título de filme erótico blasê: “Cinquenta Tons de Cinza”. A mais saborosa das “curiosidades”: mãe do prefeito, a  zelosa ex-primeira-dama Edna Coscrato , esposa do ex-prefeito Adnaer de Barros Lelis, já  havia alertado o filho, desde antes das eleições, que a prefeitura precisava de uma reforma urgente. “Casa da gente a gente cuida”, teria dito Dona Edna com seu olhar inquisidor.


 

JORGINHO 2024



Há mais ambições entre a  farmácia municipal e o gabinete de prefeito do que imagina nossa vã filosofia. Conhecido pelo pavio curto e por ser um gestor competente mas de  fio  desemcapado, o Secretário Municipal de  Saúde, Jorginho Uatanabe; está mirando alto. Entre os seus, ele já fala em concorrer à prefeitura em 2024. Amigo de juventude de José Eduardo, Jorginho acha que é chegada a sua hora e que o “rabo de foguete” da Saúde Municipal o credencia para qualquer desafio na cadeira de prefeito. Faltou combinar com os russos; entre os quais vereadores estreantes que acabam de chegar à Câmara e que, cheios de si, consideram que podem encurtar o próprio caminho para “renovar” as lideranças da turma da União e Progresso. Faltou combinar também com a “Maldição de 2004”, quando o secretário de Saúde da época, o médico e fazendeiro Francisco Pugliesi, o “Kito” (irmão do então prefeito José Pugliesi); lançou-se candidato a prefeito, forçando a barra no grupo. Kito acabou perdendo a eleição para o petista Sérgio de Mello, mesmo gastando o “Pontal”, uma das mais belas fazendas do município. Dá para imaginar Jorginho gastando a “Farmácia do Jorge”?

 

 

SE É PARA O BEM ESTAR GERAL DA MINHA VAIDADE, DIGA QUE FICO



 

O prefeito interino Edvaldo Morais, um dos próceres do tucanato guairense com plumas populistas, queixava-se, no final do ano passado e já sabendo que assumiria a prefeitura enquanto José Eduardo aguarda o desfecho jurídico dos golpes institucionais dos quais foi vítima; de que passou 2020 inteiro sem organizar um evento sequer. “Não ganhei dinheiro nenhum e agora vem essa responsabilidade” disse Edvaldo a este colunista. De fato, 2020 foi péssimo para o ramo que Edvaldo abraçou como fonte de renda privada. Porém, a sinceridade do interino é “controlada”. No fundo, Edvaldo sabe que esta é a última grande chance de sua vida pública. Político experiente, com duas décadas de estrada, o interino já foi vereador, presidente da Câmara, vice-prefeito e agora vive a oportunidade de ser, de fato e de direito, o que sempre almejou:  máximo mandatário do município. Edvaldo, que tem feito um bom trabalho  como “personal organizer” de José Eduardo, não vai chorar se tiver que continuar no cargo. 


 

QUE FALTA UM MANDATO FAZ




Não está fácil a vida dos candidatos derrotados que abraçaram o golpismo político na tentativa fracassada  de arrancar José Eduardo da disputa. A política é cruel  mesmo e não é para amadores. Para todos eles o que sobrou foram os subúrbios da vida “pública”. Bia “Ninguém Aguenta Mais” Junqueira insiste em falar de suas “representações” junto ao Ministério Público. O interesse que desperta é a medida certa de sua “popularidade”. Tem que suportar entre seus solitários “alavancadores” gente como um  dentista aposentado conhecido pela chatice sem fim e que foi colocado para correr  depois que se soube que  não via mal nenhum em “ganhar” por horas não cumpridas. De seu lado, Marcelo “Sou Muito Preparado” Armani, oferecido em sacrifício pela vaidade do pai,  retornou aos afazeres na “Carvão Corporation”, onde, dizem, quer aprimorar sua conhecida experiência em gestão. Por último (justamente seu devido lugar), José Carlos “Quero Ver Seu Corpo Dançar Sem Parar” Soares  dedica-se à nobre tarefa de acompanhar vereadores novatos em ensaios fotográficos que fingem buscar resultados junto de conquistas alheias. Para um “Latin Lover”, gozar com o pardal dos outros, convenhamos, não vende muita virilidade.


 

O DILEMA DO TIMONEIRO




 

É bastante provável que José Eduardo, diante das surreais arbitrariedades jurídicas das quais foi vítima, retome em breve as funções públicas e passe a exercer seu segundo mandato como primeiro prefeito reeleito da história de Guaíra. José Eduardo e sua defesa não querem nada menos do que a anulação completa dos processos que impedem até o momento, sua volta ao Paço. Há aí uma engrenagem que diz muito sobre o dilema do timoneiro. É sabido, entre poucos, que números e estudos mostrariam que José Eduardo teria popularidade e capilaridade suficientes para lançar-se à grande epopeia de sua vida pública: candidatar-se, com a força do agrobusiness paulista (onde é muito conhecido e querido) à uma vaga na Câmara Federal.  Seguindo esta tese e se tudo desse certo do ponto de vista jurídico, José Eduardo se tornaria, já em 2022, o primeiro prefeito  guairense a chegar ao Congresso Nacional, tornando-se deputado aqui em Brasília. Para isso, precisaria deixar o cargo de prefeito para que Renato, o vice também afastado das funções públicas, assumisse sem máculas e governasse até 2024. Daí a importância da anulação completa dos processos pretendida pelo prefeito reeleito. O dilema é saber se Renato, mesmo inocentado, terá condições de governabilidade, já que há um abismo entre a popularidade inquestionável e intacta de José Eduardo e a desconfiança silenciosa da população em relação ao seu vice. 

 

 

 

 

 

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