Pesquisa Datafolha divulgada neste domingo mostra Bolsonaro como o Presidente com a pior avaliação no início de primeiro mandato desde a redemocratização. Tendência é Congresso assumir, na prática, o comando da agenda das grandes questões nacionais
Imagem de Jânio Quadros extraída de foto histórica feita por Erno Schneider: momento flagrado de forma espetacular resumiu, sem dizer uma palavra sequer, a história de uma presidência sem direção que acabou na renúncia que abriu caminho para o Golpe de 64
Dados estatísticos são o inferno em números para fanáticos de toda ordem. A ciência, sempre ela, coloca no mesmo e devido saco as mentiras, os radicais, os cínicos , os tolos e os trouxas. O instituto Datafolha divulgou neste domingo pesquisa que mostra o que até as rachaduras da rampa do Palácio do Planalto já sabiam de véspera. Jair, a “solução para o Brasil” (lembram da conversinha do ‘primeiro a ordem, depois o progressso?’) é o Presidente da República com a pior avaliação em início de mandato desde a redemocratização do país. De acordo com o Datafolha, 30% dos brasileiros consideram o governo de Bolsonaro ruim ou péssimo; outros 33% o consideram regular e 32% disseram que é ótimo ou bom. Nenhum presidente teve avalição tão ruim desde 1990, quando o Brasil passou a ser governado por Fernando Collor, primeiro chefe do executivo eleito pelo voto popular depois da Ditadura (aquela mesma que Jair e os sábios que o cercam afirmam não ter existido). Collor , nos primeiros três meses de mandato tinha 19% de reprovação contra 16% de FHC, 10% de Lula e 7% de Dilma. As milícias digitais da extrema direita e seu fanatismo infantil (cada vez mais patético) podem espernear à vontade mas a coisa é o que é: um desastre para quem levou 57 milhões de pessoas a acreditarem que o Brasil poderia ser mudado na base de grosserias e soluções simples. Quem conhece Brasília sabe que a presidência fraca e o governo esquizofrênico de Bolsonaro devem levar o país ao que pode ser chamado de “parlamentarismo branco”. Boquiabertos com a inexperiência e inaptidão de Bolsonaro para lidar com as exigências do sistema madisoniano de poder, com seus pesos e contrapesos na sustentação da democracia; deputados federais e senadores da República, caso não haja uma rápida e até o momento improvável reinvenção do modo de agir e pensar do Capitão, vão conduzir agenda própria de governo por vias legislativas. Nesse modelo, onde se adota um parlamentarismo não oficial, de fato e não de direito, isola-se o presidente em uma bolha de controle. É como colocar uma criança que dá trabalho em um quarto repleto de brinquedos multicoloridos. Com todo perdão à obra de Ziraldo, o “Presidente Maluquinho” ficaria ocupado com seus quebra-cabeças , legos e tablets com joguinhos; enquanto o Congresso, um “primeiro ministro” de várias cabeças, cuidaria da arrumação e das contas da casa. Um dado fundamental da pesquisa do Datafolha é o fato de que a variável que mais explica o quadro de derretimento da popularidade de Bolsonaro não é demográfica, socioeconômica ou geográfica. O que mais pesa na desaprovação do presidente é a imagem de despreparo para o cargo. Nada menos que 44% dos brasileiros o consideram um governante despreparado. Ato contínuo, outros 42% o classificam como indeciso. A mesma pesquisa ainda mostra que metade dos brasileiros acha que o presidente trabalha pouco e é antiquado (alguma novidade para quem se recusou a entrar na onda que elegeu o “Mito”?); uma imagem muito pior, é preciso que se registre, do que a de seus antecessores petistas no mesmo período. Ao longo da semana que passou, em café da manhã com jornalistas, Bolsonaro afirmou que “não nasceu para se presidente e sim militar”. Deveria,pois, se não está disposto, a ficar na reserva da caserna, vociferando contra este mundo perdido na tribuna do parlamento. Ser presidente é muito mais que tuitar.

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