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REMINISCÊNCIAS DE UMA PESCARIA

No mundo real, nada como um Coaf para mostrar que a conversa de "Menos Brasília e Mais Brasil" não tem pulmão para chegar à diplomação do Salvador



Moro, o Paladino, saindo sem responder. Onix, o Sincero, abandonando uma entrevista. Jair, o Pai de Todos, cancelando compromissos. No mundo real, nada como um Coaf para mostrar que a conversa de “Menos Brasília e Mais Brasil” não tem pulmão para chegar sequer à diplomação do Salvador. Coisas da política, essa Besta que prova o quanto o embarque de muita gente ilustrada na corveta do Capitão pode mostrar-se embaraçoso muito antes do crepúsculo.  Seria o caso de perguntar por onde andam os defensores da moral, dos bons costumes e da ética na política que inundaram as redes sociais posando de soldadinhos de chumbo, marchando sob o mantra do “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”. Batom na cueca sempre foi um problema de contornos surreais. “Não meu bem, acontece que eu estava experimentando uma calça no provador e na hora em que fui trocar passou uma das vendedoras em frente à cabine, tropeçou e acabou, enquanto caía para dentro, batendo com a boca na minha zorba”. A gente sabe que isso acontece. Às vezes as coisas parecem o que não são. Farejador de transações bancárias suspeitas, o Coaf pilhou, como até os garçons que servem cafezinho ao governo de transição já sabem, um ex-assessor parlamentar do primeiro filho, movimentando R$ 1,2 milhão entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017; quantia incompatível com seu nível de renda. O Coaf, esse estraga prazeres da nova era vitoriana em Pindorama, também identificou que o mesmo ex-assessor emitiu cheque de R$ 24 mil em favor da esposa do presidente eleito. Jair, tão rápido como seu ídolo do Hemisfério Norte em dedilhar no Twitter, mostrou-se estranhamente lento para manifestar-se sobre assunto tão comum. Vinte e quatro horas depois e no, no meio disso, cancelando compromissos por ter tomado a pílula errada (acontece com tudo mundo), sacou a versão de que tudo não passou de um empréstimo entre amigos. Sem papel, sem garantias e sem declaração ao fisco. Talvez, na próxima pescaria que fizerem juntos, Jair e o amigo endividado que ganha R$ 23 mil ao mês e movimenta R$ 1,2 milhão ao ano, possam estabelecer termos mais republicanos para suas operações de pai para filho. Quem sabe até, convidem para a mesma lancha, o ex-juiz do Santo Ofício e o novo chefe da Casa Civil. Entre uma truta e outra no anzol poderiam discutir, entre outras coisas, como Moro vai lidar com o Coaf, já que o órgão ficará sob seu controle a partir de 1o de janeiro. Brasil, acima de tudo. Deus, acima de todos.

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